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Artigo
- Otimizando sua Central de Atendimento através de Simulação -
Call Center Solutions/Out. 98

Otimizando sua Central
de Atendimento através de Simulação por Bill Hall, Call Center
Services e Dr. Jon Anton, Purdue University
A) Informações Básicas
O desafio atual para centrais de atendimento é oferecer serviço de
valor agregado ao cliente, ao menor custo por ligação possível.
Se pensarmos em 2 dimensões de serviço a cliente em uma central de
atendimento, e que possam ser efetivamente medidas, seriam :
Eficiência do
Negócio
Eficácia do
Atendimento
Podemos relacionar as
medidas em uma matriz de desempenho (veja gráfico abaixo), que
compara o índice de satisfação do cliente (CSI) e o Custo (Call
center cost per full-time equivalent cost/FTE)1. O gerente da
central pode determinar em que quadrante está operando através da
comparação de sua performance com dados de benchmark do setor.
Muitas das Centrais de Atendimento nos EUA em operação atualmente
encontram-se no quadrante inferior esquerdo do gráfico. O padrão
de benchmark do estudo realizado pela Purdue University indica que
pelo menos 50% operam nos quadrantes inferiores.
Matriz de
Desempenho
| Índice
de Satisfação do Cliente |
Alto |
Eficaz porém
ineficiente |
Conjunto
Ideal |
| Baixo |
Ineficiente e
Ineficaz |
Eficiente porém
Ineficaz |
| |
|
Baixo |
Alto |
| |
Custo |
Se sua central de atendimento se encaixa neste quadrante, há várias
ferramentas disponíveis no mercado para auxiliá-lo a tornar-se
mais eficiente e eficaz na operação. Para alcançar níveis de
excelência (ou que se convencionou chamar de "world
class"), o quadrante superior direito, pode significar realizar
uma reorganização dos processos (reengenharia).
Independente da intenção de realizar grandes mudanças ou pequenos
ajustes nos processos, seria sensato ter certeza que as mesmas
agregam resultados e melhoram o serviço ao cliente e rentabilidade.
Ferramentas de simulação podem ser usadas eficazmente para
verificar e justificar modificações, através do teste de diversas
alternativas de "Como fazer" antes de implementar. Neste
artigo, exploramos as alternativas para o uso eficiente de simulação
na avaliação de sua central de atendimento.
B) Introdução à Simulação em Computador
Nos últimos anos começaram a emergir ferramentas de simulação
para a área de Centrais de Atendimento. Há dois motivos
importantes para isto :
- Centrais de
Atendimento são extremamente complexas e demasiadamente
importantes para serem gerenciadas por "intuição" ou
"sensibilidade".
- Ferramentas de
simulação foram projetadas especificamente para Centrais de
Atendimento, tornando-se mais intuitivas e muito mais fáceis de
serem usadas.
Vamos nos ater um
momento para melhor compreender simulação: É uma Tecnologia
que permite a criação de modelos de processos do mundo real,
em nosso caso, uma central de atendimento. Um modelo de Central
de Atendimento é uma descrição lógica de como vários
processos dentro da central interagem entre si.
Para desenvolver um modelo, começa-se inserindo dados como padrões
de chegada de ligações, tipos de ligações, como as ligações
são roteadas, os atendentes (seus turnos e habilidades/skills),
grupos de troncos e etc.
Uma vez que o modelo está criado, pode "simular" o
comportamento atual da Central, durante um período de
planejamento. As medidas de resultados que são fornecidas são
as mesmos utilizadas diariamente: número de ligações, tempo
de atendimento, ocupação de atendentes, número de ligações
abandonadas, nível de serviço e muito mais.
Estudos de simulação funcionam bem em centrais de atendimento
pois é possível gerar ligações "virtuais" da mesma
maneira que ocorrem na realidade (aleatoriamente e em lotes). Além
disso, a documentação gráfica e a animação do modelo da
central permitem a visualização e entendimento. O resultado é
um modelo que é fácil de entender e "funciona como"
a sua central, de maneira que você conhece. Uma vez que o
modelo está definido, pode ser usado várias vezes, para apoio
às decisões importantes.
Mesmo que você esteja cumprindo suas metas, a simulação pode
oferecer novas maneiras de solucionar problemas, levando a soluções
mais eficientes em custo para processamento de ligações. Visto
que muitas centrais de atendimento estão em estado contínuo de
modificação, a simulação permite testar efetivamente as
mudanças antes de implementá-las. Vamos explorar em detalhes
como o uso de simulação pode incrementar as operações de sua
central de atendimento. A simulação pode ser utilizada de 2
maneiras:
- Primeiro:
Pode ajudá-lo a identificar como você está. Vamos chamar esta
fase de avaliação. A pergunta chave é "Quão eficiente e
eficaz está minha operação atualmente ?"
- Segundo:
Simulação pode ser usada para responder a perguntas do tipo
"E se ?"; e desenvolver cenários de como a central
pode operar no futuro. Torna-se uma metodologia de análise e
medição do impacto de mudanças, como novas tecnologias, mudança
de estratégia de negócios, maior carga de trabalho, etc..
Para ilustrar o
foco na Fase de Avaliação, iremos utilizar um caso real
conduzido em uma grande central de atendimento de serviço público
nos EUA.
C) A Fase de Avaliação
O propósito desta fase é estabelecer uma base para as mudanças.
Os parâmetros de avaliação da central em comparação com
benchmarks de mercado fornecem uma avaliação do estado atual
da central, bem como um ‘rascunho’ para o futuro.
Isto pode envolver um completo realinhamento da central e de sua
missão, envolvendo o planejamento estratégico da empresa. A
simulação é uma tecnologia para ser utilizada como
identificadora das bases para mudanças, localizando onde sua
central se encontra no gráfico 1, e qual o impacto em função
de objetivar alcançar o quadrante superior direito na matriz de
performance.
A ferramenta escolhida para este tipo de análise é um produto
chamado Arena CallCenter (Call$im), da Systems Modeling Corp. (Nota
do Tradutor: O Arena CallCenter (Call$im) recebeu o prêmio
Editor’s Choice, da CALL CENTER MAGAZINE, e é distribuído na
América Latina pela PARAGON TECNOLOGIA).
O Arena CallCenter (Call$im) foi projetado especialmente para
centrais de atendimento, o que significa clara vantagem sobre
outros softwares convencionais de simulação. Mencionamos isto
pois a maioria dos softwares de simulação são ‘genéricos’,
e requerem muito mais conhecimento e expertíase para criação
de modelos. Como ninguém no mundo de hoje dispões de semanas
ou meses para aprender um novo software, não é prático para
gerentes de centrais de atendimento utilizar estes outros
softwares sofisticados. Ao usarmos o Arena CallCenter (Call$im),
fomos capazes de criar um modelo em apenas 2 horas.
D) O Processo de Simulação
Objetivos
Durante a fase de avaliação em nossa análise, o objetivo foi
estabelecer um modelo de performance que representasse as operações
atuais da central. Este modelo nos diz como a central está se
comportando de acordo com o volume de ligações, capacidade de
troncos, roteamento e número de atendentes. Depois, através da
comparação com performance de outras centrais e benchmarks de
mercado. Estamos acima do padrão do mercado ? E se não, com o
impacto nos recursos da central se nosso objetivo for a melhoria
do nível de serviço?
Construindo o modelo
Tendo em mente os objetivos, construímos um modelo base, cuja
animação geral pode ser vista a seguir.
Temos 3 tipos de ligações/chamadas chegando à central. Todas
as ligações são enviadas à uma fila única, e esperam pelo
primeiro atendente disponível (telephone service representative
TSR). Cada grupo de agentes no modelo representa um ou mais
atendentes com o mesmo turno.

Como os grupos podem ter turnos sobrepostos, o conceito de
grupo-pai (parent group), roteia as ligações para os
atendentes disponíveis. Ligações de emergência podem acessar
a central através de uma linha direta ou através de IVR. Em
ambos, a ligação é colocada prioritariamente na fila e recebe
atenção do primeiro atendente disponível.
O IVR recebe aprox. 10% das ligações. Em caso de espera de
mais de 6 minutos por 1 atendente, o cliente tem a oportunidade
de deixar uma mensagem. O Modelo assume que todos os agentes
seguem seus turnos, e que estão sempre disponíveis para
receber chamadas (exceto quanto em atendimento, em paradas
programadas ou durante refeições).
Resultados
O modelo de simulação forneceu estatísticas de performance
baseadas nos volumes atuais de ligações, atendentes e
roteamento. Usamos estas estatísticas para comparação entre a
simulação e os relatórios de performance atuais da central.
Os resultados do modelo nos mostraram que a performance poderia
ser muito boa, com nível de serviço de quase 100%. Também
previu um número mínimo de abandonos, com tempo médio de
resposta de 15 segundos e ocupação de atendentes menor que
50%.
Em vez disto, encontramos na situação real, uma taxa de
abandono de quase 30%, tempo médio de resposta de 45 segundos,
uma ocupação de atendentes de 60% e um índice de ausências 3
vezes superior à média do setor.
Os resultados da simulação mostraram o potencial de incremento
de desempenho.
O que a Central poderia alcançar ?
Utilizando o modelo de simulação, propusemos a seguinte questão
“Qual o número mínimo de recursos necessários (para obter
desempenho semelhante às melhores centrais do mercado) visto
que o volume de ligações e o roteamento são os conhecidos
?”

Sem outras modificações no modelo, implementamos vários
turnos para atendentes. E o modelo nos forneceu a ocupação de
cada atendente a cada ½ hora, de maneira a identificar
facilmente gargalos/excessos. Este processo pode ser feito em várias
etapas, de acordo com a sobreposição dos turnos.
Os resultados mostram (quadro 3) que a central necessita de
apenas 41 atendentes, no mínimo, para atender o volume atual de
ligações. Com este nível, a central poderia exceder o nível
de serviço do mercado (80% das ligações dentro de 20
segundos) e manter taxa de ocupação das atendentes em 78%.
Em poucas horas foi possível medir onde estávamos e o que era
preciso para operar dentro do padrão de mercado. Este exercício
é apenas o ponto de início para fazer a reengenharia da
central de atendimento.
E) Além da Avaliação
Como a simulação pode ajudar além da fase de avaliação ?
Independente da decisão de otimizar a estrutura atual ou fazer
uma reengenharia completa, uma nova forma de negócios irá
surgir. O processo, as pessoas e a tecnologia irão mudar de
alguma maneira. A simulação pode ser usada para descrever,
testar e otimizar, baseada nestes eventos.
Vamos supor que nossa central de atendimento ao público ocorram
as seguintes mudanças :
- Os atendentes
começam a efetuar chamadas a clientes (outbound), para
promover novos serviços, baseado nos hábitos do cliente,
- Ligações em
dias de grande volume são transferidas para um serviço
externo.
- O atendimento é
extendido de 12 para 24 horas.
- O Nível de
serviço precisa melhorar em 35%
- As ligações
serão roteadas para os atendentes com a maior habilidade
para o tipo de ligação (Skill based routing)
- Várias Centrais
de Atendimento são combinadas, em um conceito de serviço
compartilhado.
- Novos atendentes
levam 3 meses para alcançar a performance desejada.
Em cada caso
estamos afetando nosso modelo de negócio. Antes de efetivar as
mudanças, podemos usar simulação para descrever, testar e
comparar alternativas em relação à situação atual. A
tecnologia de simulação oferece um estudo rigoroso e compreensão
do impacto das mudanças na operação dos negócios.

Ao estudar o relatório “1998 Purdue University call center
benchmark report”, torna-se claro que aprox. 50% das centrais
de atendimento nos EUA necessitam de reengenharia antes do ano
2000, para manter-se competitivas. Acreditamos que a simulação
irá representar um fator importante durante esta transição e
após.
Autores
Dr. Jon Anton é pesquisador no Purdue Call Center for
Customer-Driven Quality, Department of Consumer Sciences, na
Purdue University. Tem prestado apoio a mais de 300 empresas na
melhoria da estratégia de atendimento ao cliente, através do
projeto de centrais de atendimento inbound/outbound. Também tem
auxiliado na avaliação de terceirização de serviços na área,
buscando maximizar níveis de serviço e redução de custos por
ligação.
Mr. Bill Hall, é consultor da Call Center Services, onde presta
serviço a clientes para otimização de operações em Centrais
de Atendimento, bem como em reengenharia de processos. É
especialista no uso de simulação para avaliação de Centrais
de Atendimento e desenvolvimento de estratégias para operações.
Tem experiência de mais de 20 anos em manufatura, logística,
seguros e área médica, em posições de diretoria.
Referências
Anton, J., Call Center Management by the Numbers,
Purdue University Press, Inc., 1997.
Anton., et. al., 1998 Call Center Benchmark Report,
Purdue University Center for Customer-Driven Quality.
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